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quinta-feira, 7 de julho de 2011
Palavra de homem
Um pouco de amargura não resolve.
Um pouco de amargura
se dissolve,
se nesta cidade
não conheces o outro
que está perto e pouco.
A palavra de homem em tua boca
espera a palavra e o nome
de peso e cobre.
Espera a voz do outro
que acusa a palavra pouca
e explode a armadura
dessa amargura rouca.
Falar não salva o homem.
- Estás na outra
palavra do outro
perto e solto.
Falar não abre a porta
não abre a cela
não salva o foco
de tuas chagas.
Falar só salva, salvo
se o outro
do outro lado
fale por tua boca:
- a fala pouca
que te dissolve
a arma pura
desta amargura
que não resolve.
Mário Chamie*
Mário Chamie *(Cajobi, 1 de abril de 1933 - São Paulo, 3 de julho de 2011) foi um poeta e crítico brasileiro. Era formado em Direito pela Universidade de São Paulo. Foi secretário municipal de Cultura de São Paulo e criou a Pinacoteca Municipal de São Paulo, o Museu da Cidade de São Paulo e o Centro Cultural São Paulo.
Com seu livro Lavra Lavra, de 1962, instaurou o "poema-práxis". Mário Chamie é um nome muito importante na história das vanguardas surgidas no final da década de 1950, como dissidente do concretismo e fundador da "poesia-práxis". Tem mais de 140 obras publicadas e traduzidas em 57 idiomas. Gilberto Freyre escreveu sobre Chamie: "A criatividade se apresenta tão dele e tão não somente dele que é como se palavras, ou relações entre palavras, nascessem com ele, como se fossem de todo inventadas".
Foi professor convidado a dar aulas e palestras em diversas universidades pelo mundo, como Harvard, onde deu aulas para o astro da música Jim Morrison, vocalista da banda The Doors, de quem guarda até hoje uma coleção de cartas que este lhe enviara. Chamie dava aulas na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), em São Paulo, e era locutor do programa 50 por 1, exibido pela Rede Record e apresentado por Álvaro Garnero.
Foi casado por muitos anos com a falecida Emilie Chamie, famosa por seus trabalhos gráficos de divulgação de peças publicitárias. Participou do Projeto da Academia Paulista de Letras (da qual foi membro) "Escritor na Escola", ministrando duas palestras sobre o ritmo da fala na poesia escrita, nos colégios EE. Prof. Narbal Fontes e EE. Dr. Octávio Mendes.
O poeta morreu em 3 de julho de 2011, no Hospital Oswaldo Cruz.
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